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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Medo


Por vezes já pude sentir o cheiro da velha Dama tão próximo quanto a própria vida. 

O medo bate no coração e o faz pulsar de forma arrebatadora, 

E em outros momentos o faz congelar. 

Essa não será a última poesia ainda, 

Mas esse coração ainda jovem teme por não poder mais amar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Após a morte VI



O coração batendo num ritmo lento, imitando as mais fracas notas de uma canção.

O corpo perdendo a força, perdendo seu calor.

A alma parece que está querendo fugir.

O meu amor há tempo se foi,

Me deixando apenas a solidão como companheira.

Meus olhos lentamente se fecham,

Finalmente a agonia acabou.

Talvez eu possa encontrá-la novamente.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Após a morte V




Já vejo os cabelos brancos no meu reflexo do espelho, a pele já enrugada e cheia de marcas.

Mas a marca mais profunda visível em mim é a de dor que meu coração sentiu a vida toda.

Não houve quem a curasse.

As outras mulheres nunca a substituíram, também não duraram muito, pois nelas eu sempre procurava Ela, a minha eterna amada.

O coração apenas se enganava.

Hoje ainda sozinho, não me habituei com a solidão, que sempre insistiu bater a porta do meu quarto, deitar do meu lado direito da cama, e sempre parece me olhar enquanto adormeço.

Já não lembro e nem sinto mais o perfume dela, e a idade tem feito com que as lembranças fiquem mais embaçadas e menos detalhistas, tem sido uma tortura. 

Nem nas lembranças mais posso senti-la.

Uma lágrima ainda insisti em cair enquanto adormeço.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Vida




Pobre poeta, que hoje agoniza em dor próximo ao abismo da velha Dama...

Tanto buscou entender a vida, porém hoje compreendeu que não há um roteiro para se viver.

Sua vida é única, o que há em comum com as outras vidas é o seu último encontro com a velha dama, o encontro com a sua morte.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Após a Morte IV



POETA: O tempo tem passado de forma tão lenta, mas têm me deixado marcas profundas no corpo. Porque ela tinha de partir? Porque tinha de levar consigo a minha vida também? Leve-me contigo...

DAMA: Pobre poeta, sei que teu coração chora, conheço a dor que carrega consigo. Mas ela estava no meu livro, nas primeiras páginas. Não pude evitar.

POETA: Pode então amenizar minha dor. Não quero ter de acordar e não vê-la em nossa cama. Ver seu rosto no retrato e nas minhas lembranças. O tempo tem passado, as lembranças estão ficando mais distantes, mais dolorosas, o choro mais frequente. A vida acabou há anos, poupe-me essa dor, leve-me contigo...

DAMA: Perdoe-me poeta, não é a tua hora, tua vida ainda tem muitas páginas a serem viradas, serão manchadas por lágrimas e dor, mas nada posso fazer...

Então ele chorara mais uma noite em seu travesseiro, fechando os olhos pôde reviver a lembrança do beijo de seu amor mais uma vez...

sábado, 7 de julho de 2012

Após a Morte III



Em suas mãos eu aprendi a voar,
Aprendi a libertar os sentimentos,
Aprendi a chorar,
Aprendi a sorrir,
A viver de uma forma mais feliz, mais intensa.

Aprendi tanto da vida ao teu lado,
Esse meu coração se tornou dependente do seu viver,
Entende amor?
Como hoje poderia viver sem ti?
Você me ensinou tanto como é viver,
No dia que você se foi,
Vi minha alma partindo com a tua.
Vi minha vida morrendo.
Deixando-me com um corpo vazio,
Sem sentimentos.
Não sei o que habita este corpo amor...
Mas sempre sinto o coração apertar,
E na mente revivo sua vida nas minhas lembranças...
É lá que encontro minha vida.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Após a morte II



E mesmo após os anos terem passado, nada de verdade vivi além de tuas lembranças...

O retrato ainda está na parede.

O seu lado da cama ainda não foi tocado.

No guarda roupa aquele vestido que lhe dei está guardado, faz tanto tempo, não sei se tem mais o seu perfume...

De nada adianta mais chorar, mas o coração não entende, sente sua falta...


domingo, 10 de junho de 2012

Após a Morte



Após a morte buscamos nos pertences e nos lugares, vestígios de vida dessa pessoa que amamos... 

Durante anos os detalhes passam por nós despercebidos... 

Mas agora, cada canto da casa eu reparo nesses detalhes, e também percebo quanta falta você me fará...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quando eu partir





Muito de mim está em minhas poesias... 

Quando a Dama me buscar, não será motivo para sofrimento, 

Tu poderás me encontrar nas poesias... 

Sentirás minha alma, 

Terás boas e más lembranças. 

Conhecerás muito mais a pessoa que fui pelo poeta que vivi. 

Menti, e por muitas vezes mascarei um mundo de verdades em poucas linhas, transformando-as em sonhos.

Mas acima de tudo, amei... 

Amei a poesia, 

Amei a vida, 

Amei pessoas de forma incondicional... 

Não chores amor, a morte não é o fim, a morte é apenas um recomeço.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Angústia II



Hoje mais um dia morreu, e ainda persiste a esperança de te reencontrar...

Sei que logo a Dama virá me buscar.

Um novo dia amanhece, o corpo estremece.

Em meus olhos uma nova lágrima brota, é o coração que chora.

Sua imagem em minha cabeça enquanto tomo meu café à mesa.

Lembro dos momentos simples, nada disso mais existe.
(esses momentos ficaram gravados nas lembranças).

Mais um dia morreu, mais um dia que meu coração sofreu.

A Dama reluta em vir me buscar, parece não se importar.

Mas eu aguardo, com a angústia e com a esperança.

Enquanto isso, o amanhã será vivido de lembranças.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Conto III




   O quarto era sua prisão. Não havia qualquer tipo de grades nas janelas ou portas trancadas, nada disso poderia prender uma alma. Mas vivia como numa eterna solidão.

   Sempre rabiscando papéis, sempre colocava algum sentimento na ponta do lápis e os transformava em algum verso ou poesia, e quase sempre de dor.

   Sempre fingia um sorriso... Todos fingiam que acreditavam nesse sorriso, assim vivia.

   Foi em certa noite, sentado no lugar mais obscuro de uma margem, a lua refletida, se banhando no lago... Sentiu uma brisa e com ela um leve perfume, adocicado, marcante. Lentamente levantara sua cabeça e observara a outra margem, seu coração disparara, era ela.

   Perguntava-se se era um sonho, mas seu coração lhe dizia que era real. Após um breve piscar de olhos, sentia a respiração dela ao seu lado, suave.

   Chegara mais perto. Um leve sussurro em seu ouvido, um outro fechar de olhos, mas dessa vez ela se fora.
A voz dela soou como um chamado. Seu desejo era atende-la. Teria coragem? – Se perguntava.

   Não aguentava mais aquele quarto úmido e vazio. Não queria mais saber das poesias que traziam as desagradáveis lembranças.

   Ela aparecera no meio do lago, estendendo-lhe a mão. Ele se levantara devagar, não via mais nada além dela. Seu coração se acalmara. Caminhou na direção dela, na direção do lago, sua imagem aos poucos se fundindo a da lua, certo de que aquele seria um novo mundo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Angústia





Passo dias inteiros mergulhado na solidão de meus pensamentos...


Apenas a procura de suas lembranças para aliviar as angústias do meu coração.


Hoje mais um dia morreu, e não pude te encontrar, não foi hoje o dia da Dama vir me buscar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Conto II


Ele corria, rápido, desesperado.

Ao olhar para trás nada se podia ver. Mesmo assim corria.

O coração fazia uma tremenda pressão em seu peito.
Teria um lugar para se esconder desse destino?

Sempre pensara que poderia ser invencível. Descobriu após uma noite que não era assim que a vida funcionava...

Olhara para trás, reparara que o caminho percorrido é o teu passado. Nesse momento em que vive, o passado e o futuro estão mais próximos, a velha Dama não descansa, ela até poderia adiar seu trabalho, mas ela um dia iria buscá-lo.

Não havia lembranças dignas de serem deixadas em vida.

Aos poucos a corrida tornou-se caminhada. Mais uma vez olhou para trás, mas se descuidou, tomou o caminho mais curto. Encontrou enfim a Dama.

Não era aquela de capuz negro que imaginara.

Era bela, e naquele momento sentiu a salvação. Ela lhe dera a mão, ele a pegou, e dessa vez sem olhar pra trás, rumou em um novo caminho...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Conto I



Era madrugada vazia, mergulhada num silêncio profundo...

Ela estava deitada, camuflada entre os lençóis. Era momento de dor. O abajur aceso. Segurava um pequeno espelho na mão esquerda, um revólver na direita. Seria rápido, ninguém notaria sua ausência.

Sentiria dor?

Ela já não se importava, já estava entorpecida com as dores que a vida ironicamente lhe presenteou. 

Olhou uma última vez para o retrato de cabeceira, um homem a olhava com duas meninas ao seu lado. Quanto tempo faz mesmo? – pensou. Não havia como salvá-los.

O cano do revólver colado ao lado de sua têmpora direita, era gelado, isso ainda podia sentir...

O silêncio da madrugada quebrou-se, mas foi apenas uma fração de segundo.
Ninguém se importaria com isso.

domingo, 23 de outubro de 2011

Flor Morta




Morta...
Como a flor em meu jardim
Com o pôr-do-sol passa a noite morta
O sereno da madrugada
O orvalho em cada pétala
Não passa de uma simples lágrima

Morta...
A flor se encontra...
Triste,
Dúvida e a incerteza...
A linda flor
Que bela foi um dia
Foi-se como o sol,

A noite não lhe dá a vida
A noite lhe traz saudade,
Como meu coração
Que chora diante da flor morta...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Reflexo da Minha Cobiça




A presença da Dama,
Em forma de felicidade,
Aparições em meus sonhos,
A realidade se transformando,
Pouco a pouco,
Fantasiando as mentiras em verdades.

Essas verdades,
É tudo o que importa agora.
A realidade não passa de um teatro
Escrito e dirigido por coadjuvantes,
Em que ilusão fui cair.
Eu,
Escritor inexperiente de meu destino.

A Dama se apresentou,
Confiante,
Nomeou-se a mim como Felicidade,
Como a realização de meus Desejos,
Minhas Ambições,
Minhas Cobiças...

Mas roubou-me o Amor.
Tirou de mim todo sentimento possível,
No coração pouco restou,
Nada além da Angústia,
O Sofrimento...
Roubou-me a alma enfim.
Na minha realidade hoje,
Tenho apenas um corpo vazio,
Com cicatrizes expostas.

Me escondo do mundo,
Em um mundo apenas meu.
Me aprofundo mais nas sombras,
A cada momento que vejo,
Refletida no espelho,
A face da velha Dama,
Vejo em mim a própria morte...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dama e o Poeta



Pobre poeta
Sofres tanto de amor
Quando nem ao menos sabe o que é amar
Porque choras poeta?
Parece que fingis tão bem...

Quem és para questionar tal sentimento?
Como pode ter tanta certeza
Sou mestre no fingimento
Mas não minto o amor que sinto

Tenho a sensação
De que sem aquela bela donzela
A vida não há um sentido
Não encontro a inspiração para criar
Sem ela
Não há alguma letra a cantar
Sem ela
Não há belas linhas de poesia
Sem ela
Há apenas a dor habitada em meu peito
Sem ela
No pensamento há apenas o rosto dela

Em certos momentos
Tenho vagas lembranças
Deitados na praça
Em uma bela tarde de primavera
Em meus braços eu a tomava
Em algumas palavras nos prometíamos
Brincávamos de fazer poesia
Cantávamos e cantávamos...
Qualquer letra que nos vinha a mente

Com ela, o sentimento era outro

Nas noites em teu quarto
Deitado em teus braços
Me embalava em um sono
Era o seu canto um feitiço

Suas mãos me acariciavam
Sentia seu último suspiro
Bem de leve me dizendo 'boa noite'

Ao teu lado não tinha temores
Nem mesmo a morte me amedrontava
O amor era maior que tudo
Enchia todos os espaços do coração
O medo dava espaço a paz

Lembro das manhãs
De tuas manhas e mimos
De todos os teus carinhos
Ouvia o barulho do chuveiro
Sentia o perfume do banho

Sentia a paixão arder
Sentia o carinho
Sentia o amor
Esse amor...
Fez de todo o resto um teatro

Como pode questionar tal sentimento?
Tu não sabes...
Não conheces realmente o que é amar

Não chores poeta
Ela era moça
Mas não pude deixá-la sofrer mais
Sua enfermidade era grave
Deixe que eu o leve também
Deixe que eu acabe com sua dor
Encontrarás com ela em outro plano
Tua forma mais pura
Terá novamente teu amor

Leve-me contigo
Dê-me teu último beijo minha Dama

domingo, 20 de março de 2011

Meu fim




Miséria essa de tempo
Que apronta comigo sempre
Aos poucos
Assassinando minhas esperanças
Maldito os sentimentos causados

E que seja bem vinda solidão
Pois foi o tempo também que a trouxe
Deixando-me nessa escuridão
Deitado entre os cadáveres de meus amores
Sentindo o cheiro da morte
Entre as carnes podres

As flores de meus antepassados estão mortas
Os jardins já não brilham mais ao sol
Tudo hoje não passa de terra seca
O tempo auxiliou sua morte

Meus pensamentos estão quase mortos
Não há mais nada nesse plano
Nada que dê algum motivo para levantar-me da tumba
Fecho meus olhos
Sinto mais uma vez
Uma última vez o calor do sol
Fechando minha própria lápide
Agora o que sinto é um aroma
Mas agora é doce
O aroma da velha Dama que hoje veio me buscar

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sonhar


Ontem senti tua alma
Dela me embriaguei
Senti que tua alma sofria
Mas em meus braços ela sorria
Ontem feliz adormeci
Sentindo tua respiração
Teu calor
Seu corpo junto ao meu

Mas porque ter de acordar?
Quero fazer minha própria realidade
Viver onde há felicidade
Viver a minha própria história
Simplesmente poder sempre sorrir
Não quero acordar
Se num sonho feliz eu me sinto

Não quero ter de abrir meus olhos
Olhar ao meu lado
E encontrar um vazio em minha cama
Apenas ter a lembrança de sua imagem
Quero que a morte bata a porta
Me leve assim que possível
Que ela me alivie essa dor

Já não agüento mais chorar sua ausência
Meu coração se cansou
Hoje ele quer dormir em paz
Hoje não quero lágrimas em meu travesseiro
Se ela não bate minha porta
Então deito e mais uma vez
Adormeço para sonhar

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Durante a noite


Um pesadelo a me perturbar
O coração a apertar,
Uma lágrima a rolar,
Será a dama a me rondar?
Será hoje meu dia?
No amanhecer do dia
Essa dor me angustia
Uma noite mal dormida
O pensamento na curta vida,
Amor, amor, amor...
A todos que ficam,
Já não sinto meu coração
Vou-me embora,
Com esse anjo lindo de Deus
Adeus... Adeus...
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