quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Conto I



Era madrugada vazia, mergulhada num silêncio profundo...

Ela estava deitada, camuflada entre os lençóis. Era momento de dor. O abajur aceso. Segurava um pequeno espelho na mão esquerda, um revólver na direita. Seria rápido, ninguém notaria sua ausência.

Sentiria dor?

Ela já não se importava, já estava entorpecida com as dores que a vida ironicamente lhe presenteou. 

Olhou uma última vez para o retrato de cabeceira, um homem a olhava com duas meninas ao seu lado. Quanto tempo faz mesmo? – pensou. Não havia como salvá-los.

O cano do revólver colado ao lado de sua têmpora direita, era gelado, isso ainda podia sentir...

O silêncio da madrugada quebrou-se, mas foi apenas uma fração de segundo.
Ninguém se importaria com isso.

4 comentários:

  1. Forte. Triste. E ainda sim sentido.
    beijinhos.

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    Respostas
    1. Agradeço por deixar sua opinião, acho que alcancei o que pretendia...

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  2. Saber escrever sobre momentos, sejam eles quais forem, é um dom q vc tem meu amigo...
    Bjs da Mila

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